Assembleia de Minas celebra os 25 anos do Zás

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) comemora, em agosto de 2021, os 25 anos do programa cultural Zás. A data começa a ser celebrada este mês com a digitalização de 463 espetáculos realizados desde a criação do programa, em 1996. A iniciativa tem o objetivo de preservar a memória do Zás, que já integra oficialmente o calendário artístico de Belo Horizonte.

Foram convertidas para o formato de vídeo digital as apresentações dos primeiros 17 anos do programa, que estavam armazenadas em 300 fitas betacam, compatíveis somente com o videocassete, tecnologia já superada. “Apenas as gravações realizadas a partir de 2015 já estão em meio digital, as que são anteriores a essa data precisaram passar por essa modernização”, explica a coordenadora do Espaço Político Cultural da Assembleia, Carla Godoy.

Marina Machado conta que, no Zás, experimentou várias versões de si mesma: foi atriz, diretora e cantora

O material está sendo enviado por e-mail para todos os artistas que subiram aos palcos do Zás ao longo desses anos e que ajudaram a construir a história do programa. “Já conseguimos entrar em contato com 180 dos quase 300 que se apresentaram no período em que as gravações ainda não eram digitalizadas. Essa foi a forma que encontramos de agradecê-los”, diz a coordenadora.

Um desses artistas é Carlos Moreira, diretor do grupo de pesquisa e companhia de danças folclóricas Guararás, que já esteve seis vezes no Zás. A primeira apresentação foi em 2004 e a última, em 2019.

As servidoras Heloísa Duarte e Carla Godoy estão por trás da história do Zás

Ele destaca que o Zás ajudou o grupo a se tornar mais conhecido, por meio da divulgação dos espetáculos na mídia e na TV Assembleia. “Recebíamos também uma gravação audiovisual de qualidade das apresentações, que usávamos para promover o nosso trabalho. Era um material que custava caro na época e que não tínhamos verba para produzir”, conta. O compartilhamento desse material, segundo ele, fez com o que Guararás fosse convidado a se apresentar fora de Minas. “Já estivemos em outros estados e nos apresentamos também em Israel”, lembra.

A artista Marina Machado também faz parte dos 25 anos do Zás e defende que o programa engrandece e acolhe os artistas mineiros, na medida em que lhes oferece a oportunidade de mostrar o trabalho, o que nem sempre é fácil na Capital. “Fez parte da minha trajetória de estudo e aprendizado. Além disso, o Zás tem um teatro charmoso, de um tamanho gostoso, que proporciona um espetáculo mais intimista. É uma honra participar dessa história”, declara.

Ela estreou no programa em 1999, encenando o espetáculo “O homem da gravata florida”. Depois voltou aos palcos como diretora, em “As formosas”, e três vezes como intérprete: nos shows “Trio Amaranto e Marina Machado cantam Flávio Henrique”, em 2001; “Marina Machado”, em 2010; e, no ano passado, abriu a temporada com o “Mama”, feito exclusivamente para a ALMG. “Eu gosto de experimentar na arte e consegui, no Zás, apresentar as minhas múltiplas versões”, diz.

Em comemoração ao aniversário, também será produzido um vídeo institucional do programa e lançada uma campanha para ajudar a encontrar os artistas que se apresentaram ao longo desses 25 anos, com quem têm sido compartilhados os espetáculos em formato digital. A expectativa dos organizadores é de que os festejos tenham continuidade em 2021, quando será avaliada a possibilidade de apresentações presenciais, a depender da situação sanitária do país.

Como essa história começou

Em agosto de 1996 nascia, na Assembleia Legislativa, uma iniciativa cultural despretensiosa e caseira chamada Movimentos Poéticos, criada pelo servidor Silas Veloso, atualmente aposentado. O objetivo era oferecer entretenimento e cultura para os funcionários da Casa, que eram convidados a subir ao palco para exibir seus talentos.

Em 7 de março de 1997, a iniciativa passou a se chamar Zás. A escolha do nome carregava sua pretensão: oferecer apresentações curtas e rápidas, apenas para a hora do almoço. Na época, artistas mineiros começaram a ser convidados a se apresentar. Sem cachê, eles recebiam apenas a fita com a gravação do espetáculo para a divulgação do trabalho e um lanche.

A servidora Heloísa Duarte, a Ló, também aposentada, assumiu a produção do Zás naquele período e permaneceu nessa função por 20 anos. Ela conta que fazia o convite na “cara de pau”: “Foi assim com o ator Carlos Nunes, que já era conhecido na cena artística. Ele topou. Depois voltou várias vezes”. Segundo Ló, conseguir plateia para os espetáculos também era um desafio quando o projeto começou. “Ninguém se interessava. Já cheguei a oferecer brindes, como chocolates e flores, para estimular o público a participar”, revela.

As condições foram melhorando com o passar dos anos, por meio da aquisição de equipamentos e cenários necessários para os espetáculos e da oferta de cachê, mesmo que modesto. Na opinião de Heloísa Duarte, o Zás também ganhou maior importância depois de uma parceria temporária feita com a TV Globo para a divulgação das apresentações em comerciais de 15 segundos, o que se tornou um grande chamativo para os artistas.

A gravação e a transmissão dos espetáculos pela TV Assembleia, que se mantém até hoje, é outra contrapartida que agrada os artistas. A inclusão das apresentações na programação da emissora amplia o alcance da iniciativa, fazendo-a chegar também ao interior do Estado.

Por muitos anos, foram as instituições associadas à ALMG - Associação dos Servidores do Legislativo do Estado de Minas Gerais (Aslemg), Associação dos Aposentados da ALMG (Aplemg) e Cooperativa de Crédito dos Servidores dos Poderes Legislativos do Estado de Minas Gerais (Sicoob Cofal) – que garantiram o funcionamento do Zás.

Em 2017, todas as iniciativas de cultura da ALMG, incluindo o Zás, foram reunidas no programa Assembleia Cultural e passaram a ser fomentadas com recursos próprios da Casa. A Deliberação da Mesa 2.666, de 2017, que trata do programa, também fixou a seleção dos espetáculos por meio do edital de ocupação dos espaços artísticos da Assembleia, com a participação de pareceristas, garantindo mais democracia e transparência ao processo.

Há dois anos, os espetáculos do Zás, que ocorriam sempre às sextas-feiras, ao meio-dia, passaram a ser realizados às quintas-feiras, às 19 horas, no Teatro da ALMG. Segundo Carla Godoy, a mudança foi motivada pela tentativa de se conseguir uma plateia maior. “Os artistas argumentaram que, à noite, era mais fácil mobilizar o público deles para assistir aos espetáculos. A estratégia funcionou bem, principalmente no primeiro ano”, avalia.

Ao longo desses 25 anos, o programa já apresentou artistas mineiros de projeção nacional, como Paulinho Pedra Azul, Paula Fernandes, Wilson Sideral, Vander Lee, Maurício Tizumba, Beto Guedes, Cia Passo Básico, Cia. Matraca de Teatro de Bonecos, dentre outros.

Diferentes gerações de artistas no mesmo palco

Tizumba e a filha Júlia já subiram juntos ao palco do Zás, em 2014 - Arquivo ALMG
Tizumba e a filha Júlia já subiram juntos ao palco do Zás, em 2014 - Arquivo ALMG - Foto:Lia Priscila

O Zás também recebeu diferentes gerações de artistas da mesma família, como a dos mágicos da Família Kradyn, que tem mais de 30 anos de história. “Temos filmagens do pai se apresentando quando os filhos eram pequenos. Em 2018, o ‘menino’ Kradyn Júnior realizou uma apresentação solo. Quando entrei no camarim e vi ele e irmã adultos, me emocionei”, conta Carla Godoy.

Em 1998, o cantor e percussionista Marku Ribas, que faleceu em 2013, também fez show com a filha Júlia Ribas, no espetáculo “Cirandado”, quando ela iniciava a carreira.

Em 2014, foi a vez da cantora e percussionista Júlia Dias, filha de Maurício Tizumba, subir ao palco com o pai, na ocasião em que ele comemorava os seus 40 anos na música. “Tizumba já participou várias vezes e deve se apresentar nas comemorações dos 25 anos do Zás, se a pandemia não adiar os planos”, antecipa Carla Godoy.

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