Museu de Congonhas recebe a exposição “Minas reaGis” do artista Marcelo Heidenreich

Os tempos não têm sido fáceis, mas são justamente nesses momentos que o poder e a importância da arte devem ser reforçados. Assim, o Museu de Congonhas recebe, a partir do dia 30 de junho, a instalação arte-poético-participativa “Minas reaGis”, que foi gestada e nasceu em meio a pandemia pelas mãos talentosas do multiartista e mediador do Museu de Congonhas, Marcelo Heidenreich.

Nesta instalação, o visitante é parte da exposição, numa concepção para além da obra, possibilitando os mais diversos tipos de leitura frente aos desafios trazidos pelos acontecimentos que assolaram recentemente as Minas Gerais. O artista explica que este é um experimento que teve como eixo formador a poesia concreta de Décio Pignatari, Augusto de Campos, Haroldo de Campos e a arte ambiental de Hélio Oiticica. “Uma idéia de poesia em movimento. Cada pessoa vai sentir a exposição de uma forma, nada é estático. A este meu trabalho, e aos próximos que pretendo executar nesta linha, eu chamo o processo de descobrindo a quarta dimensão da poesia concreta”.

“Minas reaGis” traz a reflexão do que é ser mineiro para além do fato de que, assim como o brasileiro vem do ofício de carregar o Pau Brasil, o mineiro vem do ofício de mineirar, deixando o questionamento sobre a humanização do ser e a reação do mineiro frente a esta reflexão, surge assim o “reagis”. Marcelo Heidenreich também tem uma carreira musical consolidada, e neste ano também lançou o seu primeiro disco “Welcome to Brazil – Carta do Redescobrimento”, composta por 12 faixas autorais com a participação de diversos artistas nacionais e internacionais. “Minas reaGis” conversa intimamente com esta produção musical. “A exposição nasceu dentro das pesquisas para a criação do meu álbum autoral. Inclusive a música  “O Mundo é uma Balança”, uma das faixas do disco, faz referência a obra. Do estudo da arte vanguarda brasileira surgiu a ideia de fazer esta instalação”, explica Marcelo.

Para o Museu de Congonhas, esta exposição é ainda mais especial já que foi concebida por um dos seus funcionários mais antigos. Marcelo Heidenreich é mediador na instituição há 5 anos e meio. “Estar em contato com a obra e com tantos artistas nestes anos me inspirou no desenvolvimento da minha arte. Desde Aleijadinho, o grande mestre escultor brasileiro, até contemporâneos como o Giovanni Fantauzzi e Ricardo Carvão, todos me trouxeram novas percepções”, disse.

Segundo o artista, este é o primeiro de uma série de outros trabalhos que pretende realizar como desdobramentos das suas pesquisas, principalmente no conceito de que “o museu é o mundo” e qualquer lugar, público ou não, pode ser tela e palco para a arte.

A exposição “Minas reaGis”, viabilizada pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, estará em cartaz no Museu de Congonhas de terça a domingo, das 9h às 17h. Posteriormente, seguirá em itinerância por outras cidades mineiras. Nesta iniciativa e em toda a programação deste ano, o Museu de Congonhas conta com o patrocínio da Vale que, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, patrocina a instituição.

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